Lara's dreaming

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Sou uma mulher transexual de Lisboa, Portugal, onde nasci e cresci. Neste espaço poderá encontrar pensamentos, reflexões e comentários inerentes à minha vida como mulher trans. Seja benvind@ ao meu cantinho.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Transgender Day Of Rememberance


O "Transgender Day Of Rememberance" (Dia da Memória Transgénero) comemora-se hoje, dia 20 de Novembro, para homenagear e relembrar as vítimas da transfobia.

Deixo aqui a minha homenagem mais sentida a tod@s aquel@s que morreram devido a esses crimes de ódio, a essa transfobia, a que qualquer um/a de nós poderá estar sujeit@.

A transfobia mata. E nada mais há a dizer.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Tlovers e afins - Parte 2


Relativamente ao post que escrevi sobre os tlovers e os homens em geral, a minha querida Femme Fatale enviou-me este comentário, sobre o qual vou fazer algumas considerações:

"Lara, este teu texto me fez pensar no seguinte: se somos pré-operadas dificilmente teremos um relacionamento com um homem que não seja T-Lover, porque hétero não gosta 'daquilo' a mais. Se somos operadas, caimos na armadilha de não dizer que somos (ou fomos) uma mulher 'diferente', porque podemos com isso trazer estigmas. Enfim, é uma faca de dois (le)gumes, rarará. Bjs"

Realmente, se não somos operadas (sejamos pré-op ou não-op) não teremos muitas hipóteses com algum homem que não seja um tlover. Afinal, e como diz a Femme Fatale e muito bem, temos "aquilo a mais", que é do que os tlovers gostam mesmo.

Os homens hetero ou fogem ou acham que não deixamos de ser homens vestidos de mulheres, mesmo que não seja essa a realidade. Eu, pessoalmente, gosto de homens hetero porque sou hetero, e os tlovers não fazem parte da lista do que me atrai.

Depois da cirurgia de redesignação de sexo (CRS) temos na realidade essa "armadilha". Se dizemos que somos mulheres Transexuais, corremos o risco de pôr tudo a perder, mas se escondemos esse facto, corremos o outro risco, que é de eles descobrirem mais cedo ou mais tarde. Pessoalmente, eu nunca esconderia esse facto. Não tenho orgulho em ser Transexual, mas é o que sou, é como nasci, e quem quiser estar comigo terá que conviver com isso, sendo eu operada ou não.

Resumindo, nascemos com um estigma e morremos com ele. Por mais que façamos, que modifiquemos, que tentemos esquecer, há sempre quem estigmatize, há sempre o estigma. E termino como escreveu a Femme Fatale: a nossa vida "é uma faca de dois (le)gumes".