Lara's dreaming - Alma Feminina

A minha fotografia
Nome: Lara Crespo
Localização: Lisboa, Portugal

Sou uma Mulher Transexual (MTF) de Lisboa, Portugal, onde nasci e cresci. Considero-me uma pessoa sensível, perspicaz e inteligente. Por outro lado, mantenho uma certa ingenuidade e sou muito calma e serena (às vezes, lol). Não vivo sem música, arte, amor e mar.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Essência


Sei que já há muito tempo que não escrevia. Mas a minha vida não tem andando fácil (também nunca o foi) e eu estou com uma depressão, o que também não ajuda.

Tenho sonhado com o que me poderia fazer feliz. Se passar por mais cirurgias alterará alguma coisa em mim, no sentido de mais bem-estar. Porque, como eu sempre afirmei, não é um pénis que faz um homem, nem uma vagina uma mulher. É a nossa Essência que faz de nós o que somos.

E eu nasci com uma essência feminina. Sinto-me e sempre me senti mulher. E não é uma cirurgia que me vai fazer sentir mais mulher.

Sou uma mulher Transexual. Mas, acima de tudo, sou uma Mulher. E é isso que me interessa agora e sempre.

Se os outros não me vêem como tal, isso é problema deles. Se um homem não me aceita porque em vez de ter uma vulva e uma vagina tenho um pénis e testículos, o problema é dele.

Mas tenho esperança de encontrar um homem que me aceite e respeite como sou. E que não seja só uma coisa sexual, mas que seja algo mais profundo que isso. Sim, porque para sexo não é em definitivo difícil encontrar um. Afinal, eles estão sempre prontos para isso.

Decidi focar-me noutros aspectos da minha vida também, e não só na complexidade do processo de Transexualidade. Preciso de arranjar trabalho, tenho que cuidar dos meus pais, e continuar a alimentar as minhas preciosas amizades.

Sou uma nova mulher. Menos complicada, mais decidida, com objectivos, mesmo que a curto prazo e que podem parecer pouco importantes para muitos.

Acho que, finalmente, estou a deixar a minha essência falar por mim. Sem medos. Sem receios. Com coragem.

Resta-me ir em frente sem olhar para trás.

Quinta-feira, Setembro 10, 2009

"Não será a cirurgia que me fará mulher", diz pedagoga

Entrevista muito interessante de Letícia P., mulher Transexual, publicada n' A Capa Online e realizada por Marcelo Hailer, dia 7/9/2009 .
Aconselho-vos a ler esta visão tão inteligente e especial.


O 7º Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual (Enuds) em Belo Horizonte está perto do fim, mas os seus debates e personagens não. Letícia P., 21, formada em pedagogia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), está no evento "para saber o que o mundo acadêmico está discutindo a"respeito das travestis e transexuais", disse.

A moça, que no momento faz a sua segunda graduação em Letras pela Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nos conta também um pouco do seu processo de adequação que está fazendo no "Hospital Universitário Drº Pedro Ernesto (HUPE-UERJ) desde julho".

Muito simpática, Letícia fala um pouco de sua vida pessoal e avisa que está "dando um tempo" do namorado. Ainda sobre o mundo do saber ela reclama e diz que sente falta de um debate voltado para a questão "biológica", pois, segundo ela, muitas amigas trans "acreditam que são doentes".

Confira a seguir o bate papo realizado com a moça no último sábado (05/09) no 7º Enuds, que acontece na imensa Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Por que você está participando do Enuds?
Essa é a primeira vez que venho. Vim porque acredito ser um espaço interessante para mim, já que eu teria contato com debates sobre a questão trans. Vim também para saber o que se está falando sobre as travestis e as trans, pois, eu sinto falta disso.

E como está o debate sobre a questão trans?
Eu ainda não vi muito, a primeira seria essa (debate sobre o filme "Glen ou Glenda" do diretor Ed Woods com base na teoria de Berenice Bento) e agora a tarde vai ter um GT (Grupo de Trabalho) de Travestilidades e Transexualidades que eu irei participar. Mas, eu sinto falta do embate teórico. Nós temos hoje a Berenice Bento que é pioneira nessa questão, mas voltado para questão da política de identidade. Sinto falta do debate biológico. Eu tenho amigas trans que acreditam que são doentes e eu não consigo debater com elas. Fica parecendo que o discurso patologizante (que considera a transexualidade uma doença) convence mais.

Você chegou a pensar que era doente?
Sim. Eu fui pesquisar o tema e a primeira coisa que apareceu no internet é que eu sofria de disforia de gênero. Depois vem o estereotipo, que se você é trans tem que ser de um jeito. Depois que eu descobri outras teorias, eu mudei.

Quando que você se entendeu como mulher?
Desde pequena, mas nessa época eu pensava que era uma guei feminina que saía com héteros. Foi com dezessete anos que eu comecei a perceber que era uma mulher trans.

Na primeira faculdade você ainda era menino?
Sim.

A adequação foi durante o curso? Como foi o processo?
Eu fazia parte do diretório estudantil, tinha amigos gays e fui descobrindo. Eu conversava muito com as pessoas e comecei a conhecer outras transexuais. Na primeira faculdade eu era a guei e agora, do último período pra cá, que eu comecei a contar para os meus amigos. E, isso não tem muito tempo, tem dois meses que eu comecei com o processo hormonal.

Você está participando de algum núcleo de hospital ou universidade?
Estou no programa do Hospital Universitário Drº Pedro Ernesto (HUPE-UERJ) desde julho.

Você concorda com a história de um laudo médico para dizer se você é mulher ou não?
Não concordo. Eu já nasci mulher.

Você teme passar por todo o processo (dois anos) e no final dizerem que você não é mulher?
No começo eu temia, pensava que tinha que ter o laudo de qualquer jeito. Mas antes de ir para o UPE eu fiz um laudo em uma clínica particular. Ele disse que eu era trans e eu fique aliviada. Mas, hoje em dia não tenho mais paranoia com a questão da cirurgia, como se ela fosse resolver os problemas da minha vida. Se disserem no final que eu não poderei operar, não será isso que me fará deixar de ser mulher.

Você sente repulsa pelo seu órgão?
Não. Se eu quiser e sentir vontade, vou a um lugar reservado e me masturbo, não tenho esse tipo problema. Eu escondo por que não dá pra sair com roupa de menina... você entendeu né? Eu consigo viver com isso. Mas quando eu olho (o pênis) eu sinto que aquilo não faz parte de mim.

No primeiro curso você era chamada pelo nome de registro?
Sim.

Te fazia mal?
Não. Eu tenho uma cosa que é assim: quando eu estou vestida de menino eu me sinto mulher, mas não me incomodo, tanto que eu não gosto de ser confundida com gay. Quando acontece de me chamarem de gay, estão me confundindo com algo que não sou. Então é assim: mesmo com roupa de homem eu quero ser vista como mulher.

E na matrícula, está o nome de registro ou o feminino?
O masculino. Ainda não mudei.

Você não pensa em mudar?
Não. É tranqüilo. Eu falo com o professor, explico para ele que sou uma trans, que estou no processo de adequação e que se ele puder me chamar pelo nome social... E até agora não tive problema. Eles riscam (o nome masculino) e me chamam (pelo nome feminino). Não tenho aquela coisa, "não vou dizer o meu nome masculino de jeito nenhum!". Não é o nome que me faz homem ou mulher. O que mais me incomoda é ser confundida com guei ou travesti. Não sou travesti e nem guei, sou uma mulher. Mas não quero dizer que me acho melhor que a travesti, pois existe esse tipo de preconceito entre algumas trans.

Você está namorando ou ficando com alguém?
Estava namorando até umas duas semanas e agora a gente está dando um tempo.

Ele lidava numa boa?
Ele era super legal, tinha 28 anos, aceitava a questão da minha transexualidade. Saíamos juntos, ele me levava pra festas, os pais deles sabiam... Nós tínhamos uma relação ótima.

E a sua família?
A minha mãe sabe. Ela ficou abalada no começo, mas agora está aceitando numa boa. Agora com o meu pai, a gente ainda não conversou. Eu escondo dele. Quando vou sair, saio vestido de menino com a roupa de menina por baixo e tiro na rua. E eu vou vivendo assim. Em um momento não vai ter como esconder, como ainda estou no começo do processo de adequação ainda não dá pra perceber nada.

Sábado, Agosto 22, 2009

Trans brasileira "arrasa" no Ídolos

Notícia: G.Online

Travesti cearense conquista jurados do Ídolos

Uma candidata de Fortaleza do programa Ídolos, exibido pela Record, surpreendeu os jurados e telespectadores não só pelo seu talento, mas por revelar, após ter sido aprovada, que é uma travesti.

Lívia Mendonça, de 20 anos, chegou ansiosa para se apresentar para os três jurados Paula Lima, Luiz Calainho e Marco Camargo. Contou que foi incentivada pela mãe a mostrar suas qualidades vocais e que não tem experiência de cantar em público. "Não canto pra ninguém, só resolvi cantar para participar do Ídolos. Criei coragem e vim. Sempre morri de vergonha de cantar. Meu sonho é poder cantar, e nem é preciso eu ganhar dinheiro, apenas cantar", disse Lívia pouco antes da apresentação.

A candidata, que trabalha num salão de beleza, escolheu uma canção de Maria Bethânia e deixou os jurados surpresos ao mostrar que tinha uma bela voz. Paula Lima até agradeceu por Lívia ter se inscrito e Camargo disse que nunca tinha ouvido um timbre parecido com o de Bethânia. Na sequência, pediu para Lívia cantar Negue e a moça, que já agradara os jurados, ganhou um sim triplo e foi classificada para a próxima fase.

Emocionada após a aprovação, a mãe da jovem foi quem deu a deixa para Lívia revelar ser uma travesti. "Espero que Lívia seja reconhecida não pela opção sexual (sic), mas sim pelo talento que tem como cantora", disse a mãe. Em seguida, o apresentador abordou Lívia e perguntou se ela era mulher: “Não”, disse a jovem. “Sou travesti”.

Assista em baixo ao vídeo. Que voz!!!

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Violência policial injustificada contra Trans

O caso passou-se em Toledo, situada em Alagoas, durante a Parada Pride da cidade no fim-de-semana passado. Uma transexual foi acusada de estar praticamente nua na rua e foi detida pelas autoridades policiais brasileiras. A violência desmedida usada para esta detenção, mostrada num vídeo captado por amadores, é bem demonstrativa do tipo de tratamento dado pelas autoridades não só no Brasil mas ainda em muitos outros países às pessoas transexuais e transgénero.

A vítima recusou-se a apresentar queixa dos polícias envolvidos por medo de represálias.

Fica aqui também documentado (mais) um atropelo violento e injustificável dos direitos humanos perpretado pelas mesmas autoridades que deviam ser a salvaguarda desses mesmos direitos.

Eduarda Santos para Lara's dreaming

Terça-feira, Julho 21, 2009

Procurar a felicidade...


Durante praticamente toda a nossa vida mantemo-nos numa busca incessante pela felicidade, algo que consideramos um "estado" perfeito para nós.

Só que a felicidade não é, para mim, um "estado", mas sim momentos. Momentos passados ao lado da pessoa que amas e que te ama (algo que não sei o que é), ter uma vida estável com um emprego, um lar, uma vida preenchida. Quem é que não deseja essa tão almejada felicidade?

O problema é que nem toda a gente parece ter direito a ela. Sou uma Mulher Transexual pré-op (ainda não fiz a cirurgia de redesignação de sexo, para quem não sabe) e, mesmo aquelas que já a fizeram e já têm os documentos legais com o nome e género femininos, existe sempre o estigma.

Ou é o horroroso "shemale" na melhor das hipóteses para as iguais a mim, ou "a mulher-que-já-foi-um-homem" para as que já se operaram. Nunca podemos fugir do passado, e esse estigma corta-nos praticamente todas as hipóteses de sermos (ou termos momentos) felizes.

Os homens vêem-nos sempre da mesma forma, e são praticamente todos iguais (no more comments). E as mulheres biológicas não nos vêem no mesmo plano que elas. Curiosamente, para aquelas que nascem num corpo feminino, nós ou somos lindas e concorrência, ou não passamos de "homens travestidos".

Sendo assim, a própria vida em sociedade nos corta as pernas. E afasta-nos da tão esperada felicidade.

Se sou feliz? Não, não sou. Porquê? Não me deixam.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Jantar do meu 38º aniversário

Foi na passada terça-feira, 16 de Junho, que completei os meus 38 anos (confesso que nunca pensei cá chegar!!!).

Com um carinho muito especial que me rodeava, os meus três melhores amigos estiveram comigo, num jantar muito zen. Os meus queridos Paulo e Nando foram os anfitriões e ofereceram-me a mim e à Eduarda um manjar dos deuses.

Foi lindo. E o momento em que os dois entram na sala de jantar com um delicioso bolo de chocolate com uma velinha acesa, ao som de Marilyn Monroe a cantar os parabéns, foi realmente comovente para mim.

Estava com as três pessoas que mais amo no mundo. Estava realmente feliz.

Aqui ficam as fotos que registaram os vários momentos do bolo! (E que não ficaram desfocadas! lol). Enjoy.

A soprar a vela!

A trincar a vela, para dar sorte!

Finalmente, a cortar a primeira fatia de bolo!

Quinta-feira, Junho 11, 2009

PRODUÇÃO DARK DOLL - ANABELA LOPES



No passado dia 5 de Junho fui à fantástica loja Dark Doll fazer uma prova de roupa. Não conhecia a loja e fiquei deslumbrada com os modelos criados por Anabela Lopes. Fui recebida pela própria e por Jorge (o fotógrafo de todas as imagens deste post) que, além de muito prestáveis, foram exemplos de uma simpatia e amabilidade poucas vezes encontrada em Lisboa.
Para os interessados, a loja DARK DOLL encontra-se situada na Rua do Crucifixo, 33, 1100-182 Lisboa (Metro Chiado)

Horário:
Terça a Sexta das 14h00 às 20h00
Sábados das 11h00 às 19h30

Clique nas imagens para ver em full-size




Quinta-feira, Junho 04, 2009

Mahna Mahna (manamana, Mah-Na Mah-Na)

Um dos melhores, senão o melhor momento musical dos Muppets (Marretas em Portuguese) com as vozes de Jim Henson como o Bip Bippadotta e de Frank Oz como os dois ou as duas Snowths (big confusion como com a transexualidade). Como curiosidade, este vídeo foi transmitido originalmente no episódio 101 a... 25 de Abril de 1977, lol.

Dedico-o à minha companheira dos dias alegres e tristes, ao meu apoio e amparo socio-cultural, aquela que me dá força para continuar dia a dia a dia. Enfim, é tudo para mim. E quem é? Claro que só podia ser ela, obviamente que acertaram. A Larita.

Agora com vocês The Muppets Show (Os Marretas em Portuguese), yeahhhhhhhhhhhhhhhhhh...

Edu


Terça-feira, Maio 26, 2009

Dedicatória...

Hoje dedico este post, e principalmente o vídeo abaixo, a todos aqueles que não gostam de mim, aos meus inimigos, detractores, falsos amigos, etc., etc., etc.

Enjoy.

Quinta-feira, Maio 07, 2009

"Por onde andará Amanda Lepore?"

Foto: Jason Rodgers


A top trans nova-iorquina Amanda Lepore andou meio sumidinha do noticiários nos últimos meses, mas agora voltou com força. Acaba de estrear a nova música da loira mais plastificada do mundo (essa ganha de longe das brasileiras). A faixa ganhou o título de "Cotton Candy".

O clipe é dirigido por Bec Stupak e Amanda aparece nele ao lado do rapper Cazwell, que acabou de passar pelo Brasil, aliás.

Outra aparição de Amanda deu-se na exposição do fotógrafo Jason Rodgers, focado na noite gay nova-iorquina.

Amanda, já sessentona, continua sob os holofotes. Veja o clipe de Cotton candy abaixo.

Enjoy.

Notícia: Mix Brasil



Sábado, Maio 02, 2009

O meu pai


O meu pai é uma pessoa de temperamento difícil, teimoso, cabeça-dura, mas é alguém que, apesar de nunca termos mantido um relcionamento muito próximo, eu amo. Apesar de tudo e no fim de contas, é meu pai e mantemos um laço emocional, apesar de distante.

Ele sempre me renegou e eu não sabia porquê. Não entendia, na altura. Tratava-me de uma forma diferente da do meu irmão. Ele, que afirmava perante toda a gente que nunca tinha tocado com um dedo num filho, bateu-me e maltratou-me várias vezes durante a minha infância e adolescência.

Dois casos marcantes para mim.
O primeiro foi num dia de calor, já não sei se Primavera ou Verão. Eu precisava de umas sandálias ou uns ténis, um calçado mais leve. Depois de falar com a minha mãe, escolhi umas sandálias simples, mas andróginas. Mal ele chegou a casa do trabalho, levei logo uma estalada, sem saber porquê (devia ter uns 10 anos na altura). De seguida, levou-me escada abaixo sempre a dar-me murros na cabeça e pontapés com toda a força e arrastou-me assim, pelo meio das pessoas, até chegarmos à sapataria, já estava eu lavada em lágrimas e a pedir-lhe que parasse. Obrigou-me a sentar, a calçar umas sandálias de homem horríveis para experimentar, e depois obrigou-me a levá-las (e já calçadas!) até casa, sempre a bater-me. Eu chorava tanto que já nem via o caminho. Nem ouvia já as ofensas que ele me dizia, nem sentia os pontapés no meu rabo, nem os murros na nuca. Conseguiu à custa de muita violência o que queria, achou ele. Nunca mais calcei aquelas sandálias.

Eu devia ter uns 15 anos. Queria ir sair com uns amigos, mas apenas para tomar café e passear ali na zona. Disse-me literalmente que não. Eu retorqui que "não" não é uma razão. O que eu fui dizer! Levantou-se do sofá disparado na minha direcção, deitou-me uma mão ao pescoço, o que me provocou uma dor horrível, e deu-me um pontapé com toda a força na zona da virilha/genitália. A dor foi tão grande que ia desmaiando. Cheia de vómitos da dor fui para a casa-de-banho e fiquei com duas marcas físicas. Um arranhão enorme do lado do pescoço que até fez sangue, e um vergão na virilha, que se prolongava até aos genitais, do lado esquerdo. A pior e mais forte marca com que fiquei, foi aquela que me dizia quem eu era e a negação e ódio permanentes que ele me tinha. Sei que chorei muito, mas depois passou.

Passou tudo, como passa sempre. Mas eu não me esqueço por mais que os anos passem. Tenho noção de que ele esperava de mim mais um "macho-latino" como ele era quando novo, mas teve azar. Nem o meu irmão está nesse patamar absolutamente ridículo, apesar de se ter casado e de lhe ter dado a neta que ele tanto queria. Mas eu... Óh, eu... Eu fui a total desilusão, o aborto que a minha mãe devia ter feito. Nasci para o envergonhar, para ele ver que não acontece só aos outros com quem ele gozava. Teve uma filha Transexual. Que, para ele, é pior que ser-se gay, porque aí sempre se é homem. Mas a vida é assim. Ele sofre, sofre muito com tudo isto. Mas nunca se lembrou que quem sofre mais sou eu e sempre fui. Estou com ele no sofrimento e, apesar de tudo, amo-o. Afinal, como diria o outro, "pai é pai".

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Angie Zapata: in memoriam

Texto de Eduarda Santos para PortugalGay.pt

A 17 de Julho de 2008, Allen Andrade de 32 anos, atacou e matou Angie Zapata, de 18 anos, no seu apartamento em Greeley, EUA, recorrendo a um extintor portátil com o qual a atingiu na cabeça várias vezes, provocando-lhe a morte, quando descobriu que Angie era uma mulher transexual, portanto não biológica.

Na quarta-feira passada iniciou-se o julgamento, com a selecção dos jurados de entre mais de 300 pessoas. Este julgamento focalizou as atenções sobre os crimes de ódio e sobre a legislação referente a estes casos, de toda a comunidade LGBTT americana, pois é o primeiro julgamento considerado como crime de ódio.

Durante o julgamento muita coisa veio a lume. Que o irmão de Angie sempre a chamava de "Justin". Que Angie e Allen conheceram-se pela net no MocoSpace. Que Allen, depois de assassinar Angie, fugiu no carro da irmã dela, que lho tinha emprestado.

A defesa tentou inculpar Angie, usando o já muito batido argumento de que a decepção por Angie ser de facto um "homem" levou Allen a ter este acto de cabeça perdida. No entanto, e depois de os jurados terem ouvido gravações em que Allen afirmava que “Gay things need to die” (coisas ou cenas gay devem morrer) e também o facto de nessas gravações se referir a Angie não como ela ou ele, mas como "it" (aquilo, aquela coisa), convenceu os jurados de que efectivamente se tratou de um crime de ódio.

E no mesmo dia em que se comemorava mundialmente o Dia da Terra, os jurados foram deliberar (muito rapidamente) e consideraram Allen Andrade culpado de homicídio em primeiro grau. Segundo as leis americanas vigentes neste estado, para este tipo de crime a condenação é de prisão perpétua. Só falta o juiz ditar a sentença.

Neste caso, e ao contrário do que aconteceu aqui em Portugal com o caso Gisberta, foi feita justiça.

Monica Bellucci «ao natural» na capa da Elle


A edição do mês de Abril optou por apresentar Monica Bellucci sem maquilhagem e sem recurso ao photoshop

A edição francesa da revista «Elle» fez uma aposta inovadora. Optou por colocar na capa Monica Bellucci sem maquilhagem, tal e qual como acorda de manhã.

Deste ensaio fotográfico fazem ainda parte nomes como a actriz francesa Sophie Marceau e a modelo Eva Herzigova. Todas foram fotografadas com a cara lavada apenas em água e sabão.

A ideia é mostrar a beleza feminina sem recorrer à maquilhagem ou mesmo ao uso do photoshop.

A escolha da actriz italiana para a capa tem uma explicação: Belluci declarou recentemente que a imagem comunicada através dos anúncios de empresas como a Dior é totalmente falsa. Algo de que discorda totalmente.

Notícia: IOL

Sexta-feira, Abril 17, 2009

"Biba e na moda"


Em época de mulher fruta, travesti Garota X bomba no RJ com seu funk da Mulher Banana

Fonte: Mix Brasil

Se você achava que as mulheres frutas do funk já tinham esgotado todo o pomar disponível, está muito enganado. É que a produtora e gravadora carioca Furacão 2000 tem uma diva que traz um algo a mais. A travesti conhecida como Garota X vem chamando a atenção de quem assistiu a um dos DVDs da Furacão 2000 apresentando o funk da Mulher Banana. Com um top e sainha amarelos, a Garota X rebola e se insinua tanto quanto as melancias e moranguinhos da vida. Ela não dispensa nem dançarinos fortões para cortejá-la durante a performance.

E o bom é que ela aproveita a letra de seu hit para dar um xoxadinha nas frutas que apareceram antes dela: "Não tem mulher melancia, mulher jaca, ou moranguinho. Sou a mulher banana e sou mais o meu popozinho. Elas são popozudas, são mulheres gostosas, mas os bofes me preferem, sou biba e estou na moda. Quem já viu gostou, quem perdeu, prova e repete. Sou a muher do futuro, vê se deixa de ser tonto. Esquece as popozudas e prova o meu popô de pombo". Demais, não?

Enjoy:

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Travesti Patrícia Araújo inspira funk carioca


A travesti Patrícia Araújo volta a chamar a atenção da mídia. Depois de declarar que está namorando um jogador da seleção, Patrícia torna-se agora musa inspiradora de um funk, Boneca Gostosa, criado pelo produtor Kiko Alves e o MC Thiago Figueira.

A música faz referência a participação de Patrícia no último Fashion Rio, em janeiro, que gerou bastante repercussão. "Ela é gostosa, ela é popozuda / Quando ela chega faz geral ir à loucura / Na passarela Fashion Rio, só deu ela, só deu ela".

"A ideia foi fazer uma homenagem assim como Erasmo Carlos fez há 25 anos quando fez ‘Dá um Close nela’ para a Roberta Close', explica Kiko, que também foi o responsável pelo ensaio que Patrícia fez para a revista Gata da Hora ao lado da modelo Pamela Sanches. A revista já está nas bancas.

"O ensaio está dividido em duas partes: na primeira, as duas aparecem nuas juntas, brincando de jogar baralho, na segunda, elas foram fotografadas separadas. A única coisa que os leitores não vão poder comparar é o órgão sexual da Patrícia que foi escondido com um mini tapa-sexo", conta Kiko.

Notícia: G.Online
Foto: Divulgação/Marcio Madeira

Terça-feira, Abril 14, 2009

Perder...

Começo por pedir desculpa a todas as pessoas que seguem ou visitam o meu blog, pois ultimamente não tenho postado novidades.

Por um lado porque não há novidades boas, por outro, porque me sentia (e ainda sinto) um pouco bloqueada para escrever sobre o que tenho sentido e passado.

Muito se fala sempre no meio trans sobre o que significamos nós para a nossa família e vice-versa. Há aquelas que foram pura e simplesmente postas fora de casa pelos próprios pais, e há aquelas que, por sorte ou whatever, lá arranjam maneira de dar a volta (o meu caso) ou têm uns pais (ou uma mãe, em geral) muito compreensivos.

Nos últimos tempos, tive medo de perder a minha melhor amiga, Edu, devido a uma grave tromboflebite na perna direita, que a obrigou a ficar internada e em tratamento vários dias. Culpa do tratamento hormonal que nos pode pregar estas partidas, mas essencialmente culpa agravada do endocrinologista dela, que como pessoa supostamente experiente em tratamentos hormonais de subsituição, devia saber que são muito agressivos e perigosos, principalmente quanto mais avançada é a idade. Ela agora já está em casa, tratada e a recuperar. Mas o susto foi muito grande e chorei muito com medo de algo mais grave.

12 de Abril, Domingo de Páscoa, e o dia em que a minha sobrinha cumpriu 10 anitos.
Falei com a minha mãe para saber como se ia festejar a data, o que ela ainda não sabia, visto mal ter falado com o meu irmão (isto porque a minha cunhada foi nesse dia para o Brasil, em trabalho). Combinei com ela que me ligaria no próprio dia para me dizer como se iam passar as coisas.
Acordo tarde no Domingo. A minha mãe não tinha ligado. Reparo que tenho uma sms no telemóvel. Era do meu irmão. Dizia apenas que a minha mãe lhe tinha dito que eu queria lá ir (a casa) e que não era boa ideia. Caiu-me tudo, mas finalmente ele tomou uma atitude que eu há muito esperava dele: mostrou como é preconceituoso, como me odeia pelo que sou, que tem vergonha de mim, e que acha que tem o direito de me rebaixar em frente aos outros, como se não fôssemos irmãos e não tivéssemos sequer sido criados juntos.
Como se não bastasse, de certeza que a minha sobrinha ficou a pensar que eu é que não quis aparecer nos anos dela, para lhe dar um grande beijo, a abraçar, e lhe dar um presente digno dos seus 10 anos.

E ontem tive a certeza que a perdi. Fui a casa dos meus pais e ela jantou lá. Ignorou a minha presença completamente, como se eu não existisse sequer. Conseguiram o que queriam. Tanto a envenenaram que ela agora reage a mim sem reacção. Uma espécie de ódio silencioso. Mas não, não me descarto aqui da minha própria culpa pelo meu afastamento dela também. Mas esse afastamento deveu-se a me terem pedido para dar tempo, pois ela estava a reagir mal ao facto de eu ser uma mulher Transexual. E eu dei esse tempo. Fiz mal. Tenho tantas lágrimas que chorar ainda, que acho que nunca mais vão acabar.

É incrível como nós, mulheres Transexuais, passamos tão depressa de bestiais a bestas. E sofremos na pele a discriminação da própria família. Resta-nos seguir em frente, pois contra factos não há argumentos. Feliz, ou infelizmente, a vida continua.


Sábado, Abril 04, 2009

Top Model's Isis, Now Transitioned, Becomes Engaged

The Advocate, CA, USA

America’s Next Top Model’s first transgender contestant, Isis, stopped by The Tyra Banks Show on Tuesday to talk about her life after having sex-reassignment surgery. Isis told Banks, who had paid for the operation, that it’s nice to finally be comfortable in her own skin.

But Isis received yet another surprise on the show (which had surprised her during her previous appearance with the offer to pay for her surgery) -- her boyfriend dropped by with a wedding ring and proposed.

Isis was understandably uncomfortable at certain times while filming the reality modeling competition -- particularly when shoots called for her to pose in formfitting, revealing clothing.

Tyra took home a GLAAD Media Award for excellence in media Saturday night.

Sexta-feira, Março 20, 2009

Porcos e pérolas

Já estou cansada. Sinceramente. De escrever sobre eles. De conhecer o nojo que são. De ser desprezada pelos poucos que me interessam. Sendo assim, não vou escrever mais sobre os porcos que são os homens. Na sua maioria, pois, apesar de tudo, conheço uma meia dúzia que não o é, ou pelo menos não o aparenta.
Acho que tenho uma alergia à testosterona em excesso que parece que lhes sai por todos os poros. Mas infelizmente nasci hetero, logo há sempre um ou outro que me atrai. E quanto a isso não posso fazer nada. Resta-me a esperança de conhecer um ou dois que fujam à regra.
A música que se segue, disse-me muito pelo inverter dos papeis, e do entendimento do que é ser-se homem ou ser-se mulher. E como acho que faz todo o sentido neste contexto, aqui deixo o clip.
Tenham muita atenção à letra e vejam se aprendem alguma coisa, monte de broncos preconceituosos.

Beyoncé - "If I Were A Boy"

"Musicals are Back!"

Já era para ter escrito umas linhas sobre a cerimónia dos Óscares deste ano. Mas nunca é tarde.
Confesso que gostei bastante da nova cenografia, do apresentador (fabuloso e lindo Hugh Jackman), e da ideia de pôr actores e actrizes já galardoados com a famosa estatueta a apresentar os e as candidatos/as.
Mas a parte que gostei mais foi a coreografia e medley feitos para homenagear os musicais. E é com esses fantásticos minutos que vos deixo, retirados directamente do You Tube.

Enjoy

"Musicals are Back!" - Oscar 2009

Segunda-feira, Março 16, 2009

A minha série de televisão favorita

Pois é. Aí estão elas de novo. Para nos deliciar com as suas loucuras, alegrias, tristezas, segredos, sentimentos e emoções. Por menos que veja televisão não consigo evitar em ver esta fabulosa série que nos representa a todas: Mulheres.

Convosco, o fabuloso promo-clip da nova série, ao som da versão de "Fever" feita por Madonna.
Enjoy it like me!

Quinta-feira, Março 05, 2009

Tristeza Profunda


Estou numa tristeza mais profunda que aquilo que existe de profundo. Ela galga em mim como uma febre que teima em não passar. É tão grande que nem um sorriso consigo fazer. Nem um sorriso, nem um esgar minimamente amistoso.

É uma tristeza do desalento, da falta de esperança. Até agora sempre tentei ter esperança em algo, ou em mim, mas tudo isso me falha agora. Sou uma falhada na minha tristeza. Sou uma mulher entre a morte e a vida, entre o yin e o yang, entre o falhanço e o sucesso. Sou uma mulher triste. Muito. Infinitamente.

Também sou de uma ingenuidade intensa. Caio em cada buraco que me abrem debaixo dos pés, sem reparar que estou a cair. Só quando já lá estou é que me apercebo. E a tristeza vem. E a esperança vai-se. E eu fico só. Sozinha.

Sou uma mulher infinitamente sozinha, triste e amargurada. Tento lutar contra tudo isto, mas não consigo. Sou demasiado complacente com os outros e com o que sinto. Por isso caio. Vezes sem conta. E sem poder lutar contra isso. Estou sozinha.

Agora resta-me apenas a solidão, a tristeza e a amargura. Nada mais. Porque eu sou humana, porque eu sou sensível, porque eu sou ingénua. Queria-me levantar e viver de novo. Mas sei que isso não vai ser possível. Estou e sou sozinha. Para sempre.

Lara-Infinitamente-Triste

NOTA: Escrevi este pequeno texto em Dezembro de 2005, e decidi voltar a postá-lo aqui precisamente porque faz todo o sentido de acordo com o meu presente estado de espírito. A vida, afinal, são ciclos, né?

Domingo, Março 01, 2009

The Loyd - "Tear In The Pocket"

Através de um amigo recente, tive conhecimento de uma jovem banda portuguesa, os The Loyd, que muito me surpreenderam com o tema que vi e ouvi.
Gostei muito do som e voz, e o vídeo-clip está excelente. E, curiosamente, é muito Gay Friendly.

Aqui vos deixo o vídeo e um pequeno "flirt" ao vocalista, que achei particularmente bonito.

Enjoy.

The Loyd - "Tear In The Pocket"

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Chuva de estrelas em festa de Armani na Quinta Avenida


Giorgio Armani inaugurou, esta terça-feira, uma nova loja na Quinta Avenida, no coração de Nova Iorque.

É a primeira do estilista italiano nos Estados Unidos. O espaço tem 4 mil metros quadrados, quatro andares e inclui um restaurante, no último andar, com vista panorâmica.

A loja vai reunir, sob o mesmo tecto, todas as linhas do estilista: desde a casual à mais sofisticada.

A festa de inauguração do estilista foi, como é habitual, muito concorrida e cheia de classe. Destaque para a presença de nomes como Victoria Beckham, Alicia Keys, John Mayer, 50 Cent e Josh Hartnett.

A mulher de David Beckham, que já posou para um catálogo da Armani, foi o centro das atenções dos fotógrafos. Victoria marcou presença no evento com um vestido curto evidenciando alguma perda de peso.

NOTA: Afinal não sou só eu, darlingsss!!!

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Entrevista à Revista Única do Jornal Expresso


A 31 de Janeiro deste ano saiu um número da Revista Única, do Jornal Expresso, dedicada à Coragem.

A Eduarda e eu tivémos o privilégio de ser entrevistadas para essa reportagem. Convosco fica a seguir o link para a mesma.

CLIQUE AQUI para ler a entrevista em formato PDF.

Ficha Técnica:

Texto: Sarah Adamopoulos
Fotografia: Tiago Miranda
Produção de Imagem: Nuno Romão
Maquilhagem e Cabelos: Maria Alves Correia

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Entrevista da Minha Melhor Amiga à Time Out


Se nunca ouviu falar de transfobia... leia este artigo


Três anos depois da morte de Gisberta, Bruno Horta pergunta como é ser transexual em Portugal.


“Não importa que aceitem ou não a minha transexualidade, eu sempre fui mulher, sempre me senti assim, nunca consegui sentir que fazia parte de um mundo masculino. Sou e serei, até ao fim dos meus dias, uma mulher”. Assim escrevia em 2004 Eduarda Santos, 50 anos, transexual e autora do blogue Transfofa – das poucas pessoas em Portugal que dão a cara para falar sobre este assunto.
Três anos depois do brutal homicídio da transexual Gisberta por um grupo de adolescentes, no Porto, a Time Out encontrou-se com Eduarda Santos em Almada, onde nasceu e vive. E quis saber como é a vida de uma transexual hoje no nosso país.

Esclareça-se que Eduarda Santos não é travesti, não faz espectáculos de transformismo, não usa roupas femininas por fantasia (cross-dressing). É uma mulher comum, apesar de ter nascido homem. Tem uma filha de 26 anos, com quem vive. Foi casada, trabalhou como ajudante de despachante numa alfândega do Terreiro Paço e como segurança numa empresa de Almada. Ficou desempregada por duas vezes, mas aproveitou para fazer dois cursos de informática que hoje lhe possibilitam mexer-se com destreza na internet e nos blogues.

Tinha 43 anos e a filha já criada quando decidiu iniciar a mudança de sexo. “Jurei que quando voltasse a trabalhar já não seria o Eduardo, mas a Eduarda”, conta. Hoje é a Eduarda, mas não voltou a encontrar trabalho. Esse é o principal drama dos transexuais.

A mudança de sexo em Portugal é um processo “longo, chato, caro e por vezes humilhante”, diz. Tem pelo menos quatro fases.

Primeira: avaliação por psiquiatras e psicólogos, apenas nos Hospitais da Universidade de Coimbra, no Júlio de Matos e em Santa Maria – processo que pode durar mais de um ano e durante o qual, acusa Eduarda Santos, muitas pessoas são instigadas pelos médicos a desistir.

Segunda: assunção, por um ano, do papel de género para o qual se quer mudar e início dos tratamentos hormonais.

Terceira: nova avaliação e novo relatório que, se coincidir com o primeiro, dá origem a um relatório final que é enviado à Ordem dos Médicos – que, em princípio, é obrigada a autorizar a cirurgia de mudança de sexo. “Depende do grau de transfobia do bastonário”, critica Eduarda. Por fim, feita a operação, é preciso pedir autorização a um tribunal para alterar a documentação, o que demora meses ou anos. Aspecto positivo: o tratamento hormonal e a cirurgia podem ser totalmente comparticipados pelo Estado.

Eduarda está na segunda fase do processo, mas não concorda com a espera de um ano. “A sociedade portuguesa não está preparada para aceitar uma pessoa que se apresenta com um género e tem documentação de outro género. O Estado, ao fazer essa exigência e não dando protecção adequada às pessoas durante esse tempo, está a contribuir para que elas não arranjem emprego e sejam socialmente humilhadas.”

Isto sendo certo que há os que não querem fazer cirurgia, mas apenas o tratamento hormonal.

A esses, a lei portuguesa trata-os como párias e não os deixa mudar de identidade.

O quadro já é dramático, mas Eduarda Santos, faladora e convicta, acrescenta outro problema: a alegada displicência com que os transexuais são tratados por algumas associações LGBT, que ela prefere não nomear. “Basta pensar no que foi feito quando a orientação sexual passou a ser motivo de não discriminação no artigo 13. º da Constituição [em 2004]. A ideia de base era incluir a orientação sexual e a identidade de género. Mas os políticos devem ter achado que isso era de mais e negociaram: entra a orientação sexual e vocês calam-se com o resto. E as associações que se dizem LGBT aceitaram isso.”

Como mais vale uma proposta do que um protesto, Eduarda deixa a sua: “Falta em Portugal uma lei de identidade de género como a que existe em Espanha, para nos dar garantias de protecção.”

Informação para transexuais:

http://a-trans.planetaclix.pt

http://grit-ilga.blogspot.com

terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Domingo, Janeiro 18, 2009

Nasceu uma estrela!


Patrícia Araújo, o travesti que desfilou para Complexo B, foi ovacionada


Por Marcia Disitzer, O DIA Online


Rio - Patrícia Araújo, o travesti que desfilou ontem para a Complexo B, teve seu dia de estrela. Assediada pelos jornalistas antes de entrar na passarela e ovacionada pela platéia, Patrícia desfilou toda sorridente, usando vestido supercurto de paetê, com bordado de São Jorge, e casaco de pele, de cabelo solto.

Entrou rebolando, e, no fim do desfile, ensaiou uns passos de samba. “Adoro ser assediada pela imprensa. Sempre sonhei ser famosa”, confessou Patrícia, chamada de diva pela equipe do desfile.

A top Isabeli Fontana, que assistiu ao show, ficou deslumbrada com a performance: “Ela é o máximo”. Segundo Beto Neves, estilista da marca, ela foi batizada novamente ontem: “Agora se chama Patrícia Complexo de Oliveira B. A vida dela não será a mesma daqui pra frente”.

Sábado, Janeiro 17, 2009

Belíssima


No último desfile do Fashion Rio, nesta sexta, travesti fecha apresentação da complexo B

Patrícia Araújo é travesti e está incumbida de fechar na noite desta sexta-feira, 16, o Fashion Rio. Ela desfila para a marca Complexo B por volta das 21h.

Patrícia tem 25 anos, 1,80 m e pesa 68 kg. Morena de cair o queixo e fazer qualquer jogador de futebol passar mal, a morena é a principal atração deste último dia do evento _que começou no último domingo na Marina da Glória e apresentou, até aqui, uma sucessão de desfiles pouco aproveitáveis.

A coleção da Complexo B, uma marca de moda masculina, é inspirada na boemia da Lapa. "Falar da Lapa e não falar de travesti seria querer abafar o caso. Não quero levantar bandeira, mas dar uma apimentada", contou o estilista Beto Neves ao G1. O desfile terá ainda o ator Milton Gonçalves.

Notícia: Mix Brasil

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

"Ru Paul's Drag Race"


Ru Paul apresentará reality show para revelar novos talentos drag

A drag queen norte-americana Ru Paul vai ganhar um reality show, o "Ru Pauls Drag Race. Aos moldes do consagrado American Next Top Model´s, o objetivo do programa é revelar novos talentos drag.

O programa irá ao ar pelo canal a cabo Logo, baseado em programação gay. Serão nove concorrentes. Elas vão passar por provas de maquiagem, dublagem, performance e animação de platéia. Parece divertido.

O júri é formado por jornalistas de noite e moda, fashionistas e a criadora do The Pussycat Dolls Michelle Williams.

Veja abaixo vídeo teaser do programa.



Notícia: Mix Brasil - Central de Notícias

Domingo, Janeiro 04, 2009

80 Anos


Hoje, vou dividir, entre aspas, o meu post em duas partes: o facto da minha mãe festejar 80 Primaveras hoje, e considerações sobre o ano que começou, 2009.

Se não fosse a minha querida mãe eu hoje não estaria aqui a escrever sobre o que me vai na alma. Nasci há 37 anos e meio, já fora de idade para a minha mãe. Mas, felizmente, a gravidez correu bem, e só existiram alguns problemas no parto, pois eu já era "comprida" (53 cm) e "pesadita" (3, 450 kg), e a minha mãe já tinha 42 anos.

Ela sempre foi a minha maior referência em tudo, aquela pessoa que estava sempre lá, que me apoiava e que fazia que o meu cordão umbilical não se quebrasse nunca.
Quanto à minha Transexualidade, não tenho dúvidas de que ela sempre soube, apesar disso ser tema tabu. Tanto que, quando lhe contei que era uma mulher Transexual, ela não se mostrou surpreendida ou em choque. Ficou revoltada por eu ser quem era e nunca lhe ter dito. O problema é que eu própria só tive a certeza absoluta nessa altura. E foi ela a única familiar a quem contei e expliquei directamente o que se passava comigo.

Hoje em dia continuamos a dar-nos bem, mas, infelizmente, já não é a mesma coisa. Eu compreendo-a, mas ela não me compreende a mim. E esse é o busílis da questão. Mas não posso exigir mais da minha mãe de 80 anos, criada e educada numa altura em que nada disto era publicamente conhecido, explicado, entendido.

Resta-me agradecer-lhe tudo o que ela fez e faz por mim e dizer-lhe que a amo muito.
Parabéns mamã!

2009 começou há pouco e nesta data em que há o aniversário da minha mãe, aproveito para deixar aqui algumas considerações, pensamentos para este ano.

Estou com uma depressão muito grande, o que me leva a ser muito lamechas por vezes, a chorar muito e por tudo e por nada, mas não me coíbe de conseguir pensar racionalmente sobre o que aí vem a curto prazo.

Como não estou nem bem psicologicamente, nem bem fisicamente (sinusite e emagrecimento), não serei operada a nada, pelo menos para os meses que se avizinham. Resolverei estas questões com a minha equipa médica, e depois logo se vê.

Tenho que arranjar um emprego, nem que seja num call center. Seja de que forma for, hei-de arranjar trabalho num local em que me tratem condignamente, ou seja, como a mulher que sou.

Vou tentar estar mais presente junto daqueles que amo, em especial os meus pais. A depressão debilitou-me e debilita-me muito, mas hei-de conseguir.

Quanto ao resto, não há mais nada de especial que eu deseje para mim. Acabo este post desejando-vos um excelente 2009, com muita saúde, paz, amor e felicidade.

Enjoy 2009!

Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

Boas Festas da Berta e da Manicure!

Querid@s leitores e leitoras,

A Eduarda (Berta) e a Lara (Manicure) desejam-vos um Feliz Natal e um Óptimo Ano Novo, com muita saúde, paz e amor, junto daqueles que mais amam.

Beijinhos,

Berta e Manicure