Lara's dreaming

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Localização: Lisboa, Portugal

Sou uma mulher transexual de Lisboa, Portugal, onde nasci e cresci. Neste espaço poderá encontrar pensamentos, reflexões e comentários inerentes à minha vida como mulher trans. Seja benvind@ ao meu cantinho.

sexta-feira, junho 27, 2008

"Give it 2 Me"

Antes de passar ao tema principal deste post, começo por fazer uma referência à Marcha Pride LGBT e respectivo Arraial Pride a realizarem-se amanhã, sábado, em Lisboa.
A Marcha inicia-se às 16h00 no Jardim do Príncipe Real terminando na Praça do Comércio onde será o Arraial. Fica aqui a dica para quem quiser passar por lá.

Madonna. "Give it 2 me". Prestes a fazer 50 anos, a diva da pop lança um novo clip retirado de "Hard Candy", com a presença de Pharrel Williams. Provocante e divertida, Madonna mostra que ser-se sexy e sensual pode ser muito engraçado. O clip faz-nos lembrar alturas passadas em que a diva assumia a sua sexualidade plenamente e de forma marcada. Em "Give it 2 Me" brinca com isso. Bem melhor que o seu antecessor, "4 Minutes".

Um bom fim-de-semana, e aqui vos deixo o clip. Enjoy.

domingo, junho 22, 2008

Produção de Moda (caseira)!


No meu dia de aniversário, o meu amigo, estilista e produtor de moda, Paulo Araújo, surpreendeu-me com uma proposta: fazer uma pequena produção de moda caseira.
Como adoro moda (fomos colegas de curso de estilismo entre 1992 e 1996), entrei logo no espírito! Gosto imenso das peças ultra-femininas que ele cria e encarnei a "personagem".
Com roupa e acessórios dele, fotos da Eduarda (por telelé, na falta de uma máquina digital), podem vê-la na sua totalidade no meu site pessoal AQUI.
Entretanto, aqui ficam dois exemplos do trabalho conjunto e um muito obrigada ao Paulo pelos presentes de aniversário.
Mil beijinhos, querido.

quinta-feira, junho 19, 2008

Mulher Transexual brutalmente espancada pela polícia nos EUA

Estamos em pleno século XXI mas parece que nada mudou em nada. Foi agora revelada uma gravação de um polícia de Memphis a espancar de forma brutal e animalesca uma mulher Transexual que havia sido detida por ser trabalhadora sexual. Mais, enquanto um a espancava no rosto e cabeça com as algemas a servir de ajuda na mão, outro agente segurava-a para ela não pudesse reagir. E, não sendo suficiente, observa-se depois uma enfermeira que, ignorando a mulher Transexual, vai ver se o polícia não ficou ferido. Não tenho comentários, deixo-os a quem tiver a coragem de assistir a este vídeo. De seguida estão três notícias referentes ao caso, retiradas de sites norte-americanos.



Exclusive video obtained by Action News 5 shows a Memphis police officer beating a suspect at 201 Poplar in an apparent case of police brutality.

TTPC Denounces Brutal Anti-Trans Hate Crime Attack by Memphis Police
The Tennessee Transgender Political Coalition (TTPC) denounces the cowardly attack by Memphis Police Officers upon Duanna Johnson, an African American transgender woman on February 12.

One Cop Fired, Another Off the Street After Videotaped Beating
Video obtained by Action News 5 and first aired Tuesday shows a Memphis police officer beating a suspect at 201 Poplar in an apparent case of police brutality.

segunda-feira, junho 16, 2008

37 anos...

Hoje faço 37 anos. É verdade, nunca pensei cá chegar, mas aqui estou, ainda no planeta Terra ou na Matrix, whatever.

Nunca gostei muito do meu aniversário, não por uma questão de ficar mais "velha", mas porque não vejo onde está o ponto de festejar mais um ano aqui. Afinal, temos mais sofrimentos que alegrias. Mais dor que felicidade.

Mas neste fim-de-semana que passou tive uma alegria. Revi a minha amiga Jó Bernardo no Fórum "Sem Medos" organizado pelo Bloco de Esquerda, e para o qual eu e a Eduarda fomos amavelmente convidadas pelo sempre querido deputado José Soeiro. Discutiu-se sobre "Transexualidade e Transgenderismo" e foi uma continuação, de certa forma, da audição parlamentar de há uns meses atrás.


De resto, foi um final de semana calmo, com muito calor e uns agradáveis cafés aqui e em Lisboa. O que me ajudou a fazer um ponto da situação da minha vida. Nada de novo, como sempre. Parece que as dúvidas e problemas que temos são sempre os mesmos, apenas com novas roupagens.

Dói-me a reacção da minha família directa a quem eu sou. Dói-me não ter conseguido uma relação estável na minha vida. Dói-me estar sozinha. Dói-me ter nascido num corpo que não é o meu, o correcto. Dói-me. Apenas isso.

Mas vou tentar esquecer um pouco essa dor hoje, e aproveitar para estar com as únicas pessoas que realmente me apoiam: os meus amigos íntimos.

E deixo-vos com "Bedtime Story" de Madonna. Uma canção que se adapta muito bem a este dia "especial".

Enjoy.

quinta-feira, junho 12, 2008

Faiza Khálida

Hoje publico aqui uma entrevista que a minha querida amiga virtual (por enquanto, espero!) Faiza Khálida deu a um jornal brasileiro. Ela é realmente uma força da natureza. Inteligente, educada, corajosa, possuidora de uma força intrínseca, Faiza é um exemplo para todas nós, mulheres Transexuais.
Aqui fica, então, o artigo. E mil beijinhos muito especiais para ela!




Legenda: Professora de inglês da rede municipal de ensino de Belford Roxo faz cirurgia e muda de sexo. Na foto Faiza Khálida em seu quarto onde corrige e prepara provas - Foto: Gustavo Azeredo / EXTRA

Professor vira professora, mas enfrenta preconceito em escola municipal de Belford Roxo

Aos 20 anos, a professora de inglês Faiza Khálida Coutinho usou seu primeiro vestido de festa e dançou de rostinho colado. Mas precisou esperar 11 anos pelo sonhado primeiro beijo. No meio do caminho, aconteceu o grande vôo de sua vida. Mais precisamente para a Tailândia, onde ela fez a operação de mudança de sexo por US$ 5.500 dólares (R$ 8.900), em 2004. Dinheiro poupado centavo a centavo pela professora da rede municipal de Belford Roxo.

- Minha adolescência foi uma depressão. As pessoas me viam como homossexual. Era uma agressão. Eu me refugiava em casa e na Igreja. Desde o momento que peguei o avião para a Tailândia foi só alegria e paz - conta a professora de 35 anos.

Após conquistar a identidade feminina legalmente, Faiza destruiu todos os documentos antigos e ateou fogo às fotos da adolescência. Mas a operação para a troca de sexo não foi o fim de um conto-de-fadas. Apesar do sucesso do procedimento cirúrgico, Faiza sofre até hoje as marcas deixadas pela discriminação:

- O preconceito é velado. Recebo muito apoio dos meus alunos, da minha diretora Leci, mas já sofri muito. Todo dia é uma luta.

Hoje, ela enfrenta mais uma briga. Na Escola Municipal Jorge Ayres de Lima, Faiza recebeu um recado, por intermédio de uma funcionária, de que o pai de um aluno quer tirá-la da escola. Foi o bastante para velhos fantasmas renascerem:

- Já fiquei sem ter como trabalhar. Todo dia saio de casa treinando minha emoção. Espero abrir caminhos para quem fizer a operação depois de mim.

Mãe é o anjo da guarda e melhor amiga

A história de Faiza contraria qualquer estereótipo. Nas paredes e estantes de sua casa, em Xerém, imagens de santos, bíblias e fotos falam muito sobre a história da família. Ex-catequista e ex-professora de crisma, Faiza adora receber as visitas das freiras franciscanas e dos grupos de oração. Religiosa, é fã das canções sacras compostas pela Irmã Miria T. Kolling e mantém uma vida recatada.

Essa trajetória só foi possível graças a Dona Gecy Coutinho, de 75 anos, mãe de Faiza. Católica praticante, ex-ministra da Eucaristia, ela nunca rejeitou a filha. Preferiu protegê-la em sua casa a julgá-la. Quando a equipe de reportagem chegou à sua casa, Dona Gecy ficou acompanhando, de longe, a entrevista. Os olhares, desconfiados, denunciavam o medo das visitas. Só depois, abriu o coração.

- Ela já sofreu muito, sofre até hoje e não merece. É ótima filha, muito católica. Sempre me ajudou a cuidar da minha irmã, que está em cima de uma cama por causa de um derrame - disse, sem disfarçar a emoção.

Coragem de assumir

Faiza conta que, quando fez a operação, amigas lhe recomendaram mudar de cidade e recomeçar a vida.

- Disseram para eu abrir um salão, ir para longe, onde não me conhecessem - lembra ela, que preferiu enfrentar o preconceito e lançar dois livros "O primeiro beijo" e "O amor supera tudo".

Pai vê lição de casa com desconfiança

Na Escola Municipal Jorge Ayres de Lima, a atuação de Faiza é elogiada.

- Ela é superbem aceita. É ótima professora. Todos sabem sobre sua história e a respeitam. Apenas um pai não gostou que ela colocou foto e e-mail em uma redação. Mas foi um incidente menor - minimiza a coordenadora Cássia Conceição Fernandes de Oliveira.

Para Faiza, o incidente demonstra o preconceito velado. Segundo a professora, para ajudar os alunos na confecção de uma redação sobre o perfil de cada um, Faiza fez uma ficha com seus próprios dados pessoais. Cada aluno deveria imitar a professora e, a partir dos dados, construir um texto.

- A funcionária acabou me dizendo que o pai da criança não me aceitava. Disse que eu não ficaria magoada caso a escola quisesse trocar o aluno de turma, tem vários outros estudantes que querem ter aulas comigo, a comunidade me adora. Mas disseram que o pai queria minha saída da escola. Tenho tido dores-de-cabeça e chorado muito - conta Faiza.

A história remete a um trauma do passado. Faiza foi afastada da primeira escola municipal em que trabalhou pela diretora após começar a fazer mudanças no seu corpo e no seu modo de vestir. Depois, vagou por várias escolas.

- Nós a procuramos quando soubemos que ela estava sofrendo. Ela está tendo o apoio jurídico do estado - conta Marjorie.

terça-feira, junho 10, 2008

"The case continues"


Finalmente o tempo está bom. Já ando a fazer uns planos (lol) para ir até à praia. Mas neste momento estou preocupada com a cirurgia que vou fazer em breve. É apenas mais uma, eu sei, mas fico sempre nervosa, ansiosa, como acho que qualquer pessoa ficaria.

E o facto de não ter um "amparo" emocional/amoroso também não ajuda muito. E isso sobrecarrega-me o que, consequentemente, sobrecarrega os meus poucos amigos íntimos. E a Eduarda, com quem partilho casa e de quem posso dizer com orgulho que é a minha melhor amiga, leva com o grosso desses nervos, dessa ansiedade, desses medos.

Sozinha. Esse é o meu caminho pedregoso, apesar de estar rodeada de pessoas, muitas delas que gostam verdadeiramente de mim. Sei que é um "cliché", mas sinto-me sozinha por mais acompanhada que esteja. O que me deixa triste, o que me faz sentir insegura, o que me faz chorar lágrimas de sangue muitas vezes.

Mas a vida continua. E hoje escolhi uma cantora de eleição minha: Ute Lemper. A sua voz e força interpretativa dão uma nova categoria emocional e sentimental ao que canta. E a minha música favorita dela é a que vos deixo aqui. Além de minha favorita, tem muito a ver com o meu actual estado de espírito.

Enjoy.

Ute Lemper - "The case continues"

domingo, junho 08, 2008

As histórias de Amor têm um final triste... Parte 2


Já escrevi sobre o horrível caso que se passou com Calpernia Addams. Como referi nesse post, o filme sobre essa história infelizmente real, “Soldier’s Girl”, marcou-me muito, demais.

Fez-me pensar, como também referi, o que eu faria se tal me acontecesse a mim. Talvez entrasse em depressão profunda e em auto-destruição, quem sabe? Já sou dada a estados depressivos, logo uma situação limite emocional poderia provocá-lo facilmente.

Apesar de apenas ter tido alguns namoros, sem nada de sério, houve um que me marcou muito, demais. Aquele que começou numa tarde de Setembro de 2002, com um homem um ano mais velho, chamado Jorge.

Foi uma coisa super-natural. Conversámos, conhecemo-nos e começámos a namorar “oficialmente”. As coisas foram evoluindo e eu sentia-me nas nuvens. Mas, como referi no post anterior, não havia intimidade emocional, apenas sexual. E eu fui-me ressentindo disso com o tempo, apesar de ele ter sido sempre honesto comigo (pelo menos nesse sentido) e me ter dito que não me amava. O problema é que a minha paixão se transformou em amor, e nos sentimentos ninguém manda.

Os nossos corpos encaixavam na perfeição, aprendi a ter prazer e a sentir-me sexualmente como a mulher que sou, apesar de Transexual. Pelo menos algo de bom houve e ficou. Mas o desânimo com a “suposta” relação – falo assim porque ele tinha vergonha de mim, de sair à rua comigo, de me apresentar aos amigos, etc. – instalou-se.

E eu entrei em desespero no final do ano seguinte, quase um ano e meio depois do início do “namoro”. Um belo dia, acordei decidida a acabar com tudo, apesar de me sentir calma e serena. Fui trabalhar, e liguei à minha melhor amiga, Eduarda, a despedir-me. Pedi-lhe que não me ligasse, ou que dissesse fosse a quem fosse o que se passava. Obviamente que não foi o que ela fez.

Quando saí do trabalho dirigi-me a casa – vivia sozinha na altura. Tomei alguns calmantes e fiz tudo o mais naturalmente possível, enquanto os telemóveis não paravam de tocar – desliguei-os. Tinha fome, comi alguma coisa que gostasse muito. Tomei mais calmantes. Adormeci no sofá, depois de ter começado a ver duas televisões, duas mesinhas, etc.

Logo a seguir toca a campaínha. Atordoada, levanto-me e arrasto-me até à porta. Para meu espanto, era ele, o Jorge. Estava com as lágrimas nos olhos e parecia desesperado, perguntando-me o que eu tinha feito. Com os nervos, fiquei mais acordada. Tentei explicar o que não tem palavras para ser descrito. Convenci-o de que não precisava de me levar ao hospital e, com muito esforço e a ajuda dele, consegui fazer um café MUITO forte. Depois de duas chávenas grandes e de ter levado com água fria na cabeça e rosto, comecei a despertar.

Ele ficou comigo até meio da noite. De madrugada, a Eduarda foi ter a minha casa, para eu não ficar sozinha. Fui trabalhar, como se nada se tivesse passado. Dois dias depois, ele terminou tudo comigo, magoando-me o mais que podia com as palavras. Isto foi em 2003.
Passaram quase cinco anos e nunca mais fui a mesma. Entrei em depressão profunda, que só se revelou no seu esplendor alguns meses mais tarde. Tive que meter baixa durante dois meses para me recuperar. E aí começou a minha auto-destruição. Perdi (quase) tudo o que amava, e perdi tudo o que tinha: casa, trabalho, namorado.

Hoje em dia não sou mais do que um reflexo do que se passou nessa altura. A auto-destruição é contínua, a auto-estima e o amor-próprio são baixos, e a tendência depressiva, grande. Vivo porque acho que a vida é uma dádiva. Vivo porque me foi permitido nascer e viver. Vivo porque hoje sou mais eu e estou cada vez mais próxima de ser EU fisicamente. Vivo porque o passado passou, apesar de doer. Vivo apesar de nunca o ter esquecido e não me esquecer dele. Vivo porque sim. E acho que esta é uma excelente razão!

sexta-feira, junho 06, 2008

Why it's so hard?...


Tive consulta de acompanhamento com o meu médico psiquiatra, depois das primeiras cirurgias. Falámos sobre várias coisas, sendo que tudo "empacou" na questão do ter ou não ter um namorado sério/companheiro. Que é muito importante, para o meu bem-estar emocional e físico, e que, depois da CRS (Cirurgia de Redesignação de Sexo) será imprescindível ter uma vida sexual activa, até para a total recuperação.

Isto eu já sabia. Aliás, o meu cirurgião, quando me explicou os procedimentos de toda a CRS me afirmou e avisou disso. Quanto à parte do bem-estar psicológico, emocional e físico, também eu já sabia, como praticamente toda a gente sabe.

A grande questão final foi porque estava eu sozinha. Não lhe dei novidade nenhuma. Os homens que conheço publicamente ou via internet em nada são diferentes. Têm um discurso de mais ou menos bom-gosto, mas quando eu revelo que sou uma mulher Transexual o discurso altera-se totalmente. Passo de uma mulher como qualquer outra (que é o que sou!) para um objecto sexual desprovido de emoções. Querem é sexo, e sem qualquer tipo de compromisso. Revelam o seu pior e mais animalesco lado, de total falta de respeito e de dignidade para comigo.

Sendo assim, e como não estou minimamente interessada em sexo per si, chegamos à conclusão que realmente é muito difícil encontrar um namorado sério/companheiro. Já escrevi vários posts sobre esta temática, mas hoje foi realmente um "click" falar nisto com um homem (o meu psiquiatra/sexólogo) sobre os homens no geral. Curiosamente, o feedback dele não se afastou muito do meu, e reconheceu que, hoje em dia, parece que as coisas andam um "pouco invertidas": ou seja, em vez de se iniciar uma relação naturalmente, sendo que o sexo vem depois e por arrasto, se faz precisamente o contrário - vai-se para a cama e depois logo se vê se dá ou não.

Mas fiquei a matutar nas palavras e frases que trocámos. Como não foi difícil para mim ter uma relação (mais ou menos) séria durante um ano e tal, e como hoje em dia isso me parece quase impossível. Não há homens românticos? Não há homens de mente aberta? Não há homens que nos saibam respeitar e aceitar como somos? Estas são apenas algumas questões que me fazem pensar a mim, e de certeza, a muitas outras mulheres - biológicas e Transexuais - que lêem este post.

Apesar de, e ressalvo, seja bem mais difícil para uma mulher Transexual encontrar um companheiro do que para uma mulher biológica. E, muitas vezes, quando encontramos "aquele" candidato de "sonho", ele ser ou casado, ou comprometido com outra, ou (menos grave - risos!) gay.

"I'm old fashioned". Sim, para mim tem que haver um conhecimento mútuo primeiro, uma amizade que se forma, um "click" quando nos olhamos. Sexo? O sexo vem depois. Obviamente que o sexo é importante numa relação amorosa entre duas pessoas. Agora, viver para o sexo? Só pensar em sexo? Só querer sexo? Isso não faz qualquer sentido para mim.

Sim, porque uma intimidade sexual é relativamente fácil de se criar. Mas e uma intimidade emocional, inerente e o mais importante em qualquer relacionamento amoroso? Aí é que reside o problema, e ninguém parece muito interessado, hoje em dia, em criar laços emocionais com alguém especial.

Para mim, intimidade emocional é imprescindível. Talvez para a maioria das pessoas não seja, ou nem sequer pensem nisso. Para mim, o mais importante são os sentimentos, o sentir. Por isso me pergunto: Why it's so hard?...

quarta-feira, junho 04, 2008

"She-Male"?

domingo, junho 01, 2008

As histórias de Amor têm um final triste...


Já há muito tempo que ando para escrever sobre o Amor. Sobre histórias de Amor. Sobre uma dessas histórias em particular. A de uma linda mulher Transexual de seu nome Calpernia Addams e de um jovem soldado chamado Barry Winchell. Esta história deu um filme, de seu nome "Soldier's Girl", e tornou-se numa referência para todos aqueles que o viram.

E assim foi para mim também. Sempre acreditei (ou quis acreditar) que as histórias de Amor existem, que existe a nossa alma-gémea, que um dia encontramos o nosso príncipe encantado e que somos felizes para sempre. Infelizmente não é assim a realidade, e Calpernia é uma prova viva do sofrimento que o Amor nos pode causar. Ela amava Barry. Barry amava-a. E foi brutalmente assassinado por causa disso. Por amar uma pessoa que não devia. Uma mulher Transexual.

Não vou adiantar muito mais sobre esta história triste de Amor, pois assim tiraria quase todo o conteúdo dramático a quem estiver interessado em vê-lo. Apenas vos adianto que passei emocionalmente de um extremo a outro enquanto visionava "Soldier's Girl". E sentia o que Calpernia sentia, e no final, tentava controlar em mim as lágrimas que ela chorava, imaginando se tal coisa me acontecesse a mim. A mim, Lara, também mulher Transexual.


Feliz ou infelizmente, nunca vivi uma história de Amor. Tive os meus amores platónicos, meia dúzia de namorados, e nada mais. Agora que estou já numa nova fase da minha vida, vejo que, se calhar, foi bom tal nunca me ter acontecido. E não me ir acontecer. Talvez porque já não acredito em príncipes, talvez porque já não acredito em almas-gémeas, talvez porque já não acredite no Amor para mim.

Sou um Estigma. Isso é uma realidade. Calpernia sofreu, e muito, mas conseguiu dar a volta por cima. É uma conhecida actriz e activista Trans entre outras coisas nos EUA, e soube lidar com o Estigma. Talvez eu não saiba. Talvez não tenha a coragem necessária para enfrentar tanta coisa que acontece na minha vida ao mesmo tempo.

Barry amava Calpernia tal e qual como ela era. Uma mulher Transexual. Eu nunca encontrei um homem que me amasse como eu sou. Uma mulher Transexual. Talvez seja azar meu, mas também é a minha realidade. E é com ela que morrerei um dia. Dentro de umas semanas passarei a ter 37 anos. Nunca pensei cá chegar. Talvez isso queira dizer algo.

Mas, em relação ao Amor, nada quererá dizer. Porque, tal como o título deste post, acredito agora que as histórias de Amor têm um final triste...

"Soldier's Girl" Trailer