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Sou uma mulher transexual de Lisboa, Portugal, onde nasci e cresci. Neste espaço poderá encontrar pensamentos, reflexões e comentários inerentes à minha vida como mulher trans. Seja benvind@ ao meu cantinho.

domingo, janeiro 31, 2010

CHINA: Top model admite transexualidade - PortugalGay.PT


Alicia Liu (foto acima), top model originária de Taiwan, admitiu ser transexual.

A modelo, de 24 anos, afirmou ter-se submetido a uma cirurgia de redesignação de sexo (CRS) aos 18 anos.

"O meu ex-namorado pagou-a" disse Liu numa entrevista a um magazine de Taiwan.

Liu ficou famosa pelas suas aparições num programa de televisão cómico.

Liu foi exposta recentemente por um colega da escola que revelou o seu "segredo" na internet, que adicionou uma foto da modelo do álbum de graduação, no qual constava Liu na categoria masculina.

Depois disto, Liu convocou uma conferência de imprensa para afirmar a sua felicidade com o seu corrente nome e identidade. Nessa altura não negou nem admitiu o rumor.

Uma semana depois da conferência de imprensa, admitiu que era transexual, segundo o China Times.


Transfofa para PortugalGay.pt - Notícias

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Uma cadeia só para pessoas transgénero - Jornal Público

Por Ana Cristina Pereira

Há quem aplauda o projecto italiano - a pensar nos perigos que enfrenta uma transexual numa cadeia de homens. E quem o repudie

Espinoza tem formas arredondas, cabelos longos, seios fartos e pénis. Uma vez por semana, quem com ela dividia a cela forçava-a a andar com os seios à mostra. Nem só os companheiros de reclusão a sujeitavam a práticas humilhantes. Os guardas prisionais não a deixavam usar soutien na hora de sair da cela para mudar de uniforme - obrigavam-na a sair apenas com uma toalha enrolada na cintura, como faziam com os homens. A algazarra num instante se instalava. "Ei, vaca!", gritava um. "Olha este gajo tem tetas!", gritava outro. E riam-se. Riam-se dela.

Teve consequência a história da nicaraguense que fugiu para os Estados Unidos para adequar o corpo à mente e foi apanhada pelos serviços de imigração sem autorização de residência e posta numa prisão a aguardar o afastamento do território nacional. Espinoza e outras transgénero fizeram queixa ao conselho de supervisores daquela cadeia do condado de Sacramento, no estado da Califórnia. Dali haveria de resultar processos legais de segregação.

A activista portuguesa Eduarda Santos (autora do blogue http://www.transfofa.blogspot.com/) já leu inúmeros relatos de "discriminação e assédio sexual" como este. E é a pensar neles que vê com bons olhos a iniciativa de Itália: o país inaugurará em Março, no município de Empoli, na Toscana, uma pequena prisão exclusiva para pessoas transgénero.

Por (quase) todo o mundo o problema coloca-se de forma mais (ou menos) assumida. A prisão está pensada para homens e para mulheres e há pessoas que não encaixam nesse sistema binário, resume Sérgio Vitorino, da Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGayTransfobia.

Aparentemente baralhada, a imprensa argentina, por exemplo, noticiou em tempos a história de uma suposta mulher que "fingia" ser um homem: "A peruana insiste em defender sua identidade como homem e reivindica a sua permanência numa prisão masculina."

Há quem tenha a identidade de um género e a documentação de outro - uma cabeça de rapariga num corpo de rapaz ou uma cabeça de rapaz num corpo de rapariga. A pessoa pode iniciar um processo de mudança de sexo e, nesse caso, percorrer um longo caminho - anos de consultas de psiquiatria, anos de tratamento hormonal, anos de intervenções cirúrgicas.

Pode até ser mais complexo do que isso, lembra a activista portuguesa Jó Bernardo. Nem todos os transgénero ambicionam submeter-se à cirurgia de reatribuição de sexo. Alguns não querem ou não podem - por saúde, por dinheiro ou por mera forma de estar na vida ou no mundo. E há quem nem sequer esteja em trânsito. O estudo Os Cinco Sexos, publicado em 1993 na revista The Sciences por Anne Fausto-Sterling, docente de Biologia e Estudos de Género na Universidade de Brown, em Rhode Island, nos Estados Unidos, acrescenta três géneros aos dois clássicos masculino e feminino: o pseudo-hermafroditismo masculino, o pseudo-hermafroditismo feminino e o verdadeiro hermafroditismo.

A activista portuguesa Lara Crespo alegrou-se com a notícia da cadeia exclusiva para transgénero: "As pessoas estão mais protegidas e podem ser acompanhadas. Se estiverem a fazer tratamento hormonal ou psiquiátrico, spodem continuar. E até o podem iniciar lá."

Biblioteca e horto

Maria Pia Giuffrida, responsável pela administração penitenciária na Toscana, assegurou à AFP que as obras estão quase concluídas. O antigo estabelecimento prisional feminino - com lugar para 30 pessoas - terá uma biblioteca, um horto, uma zona desportiva e um centro de estudos.

O projecto recebeu o aval da principal força da oposição, o Partido Democrata, e de diversos grupos de pessoas transgénero em Itália. "É uma boa notícia e é fruto de um trabalho conjunto entre os administradores e as associações como a Trans Genere, a Ireos e o Movimento pela Identidade de Género (MIT)", explicou Aurélio Mancuso, presidente da Arcigay.

Jó Bernardo não encontra virtudes no projecto. Ouve falar numa cadeia para transgénero e pensa na pretensão, há muito discutida, de criar uma cadeia para seropositivos em Cuba. Sérgio Vitorino, por seu lado, lembra o debate sobre a separação ou integração escolar das crianças com necessidades especiais.

A fundadora da A-Trans, Jó Bernardo, encontra na iniciativa italiana um "problema de socialização". E critica: parece ser "mais fácil criar uma gaiola para meter os trangénero do que garantir a sua segurança e a sua dignidade". O ideal, defende, seria criar uma ala especial dentro da cadeia.

Em Portugal, as transexuais M/F (masculino para feminino) ficam em cadeias de homens. Antónia (nome fictício) passou seis meses em prisão preventiva - no Montijo. Colocaram-na numa cela individual. Tomava banho depois de todos os outros reclusos e sob escolta de um guarda. Nunca se sentiu em risco de ser assediada ou mesmo violada.

Certo é que colocar estas pessoas numa cadeia afecta ao género com o qual se identificam não cria apenas um imbróglio jurídico. Pelo menos essa é a ideia que passa Regina Satariano, presidente do MIT, em declarações à AFP: "As mulheres presas não gostam de conviver com transexuais." E, no fim, as transexuais acabam por ficar isoladas na mesma.

Não foi o que pensou o Supremo Tribunal britânico quando, em Setembro último, decidiu transferir uma transexual condenada a perpétua para uma prisão feminina. Considerou que mantê-la detida entre homens era uma violação do artigo 8 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem. A. tinha 27 anos. Já iniciara tratamentos hormonais, já se submetera a depilação a lazer e a consultas de psiquiatria. Ela queria fazer a operação de mudança de sexo e para isso tinha de viver algum tempo como mulher.

Público.PT